Fim de janeiro, ô maravilha...
Caraca, viu? Todo mês de janeiro tem que ser essa porcaria? É falta de grana, briga, mal-entendido, aborrecimento... Cansei!
Ano que vem vou me preparar psicologica e financeiramente pra esse mês.
Adilson tá passando pelo inferno astral, não é possível... Todo janeiro é isso? Ele quase se desentendeu seriamente com um amigo, tivemos um grande mal entendido aqui, mas isso foi minha culpa, porque vi que a situação ia pro brejo desde o começo, mas pra não desagradar ninguém, deixei a coisa rolar e só piorou. Bom pra eu aprender.
Tenho esse desagradabilíssimo defeito, o de querer agradar, que saco isso!
Quando eu assistia o programa do Gasparetto, ele ensinou uma coisa muito interessante: querer agradar a todo mundo, as vezes passando em cima dos próprios desejos e o perfeccionismo nada mais são que orgulho. Já falei isso aqui, não falei?
Porque a pessoa sempre pronta a ajudar, que sempre fala sim pra tudo que pedem, a que não admite errar nunca, na verdade quer ser vista como a pessoa super legal, a pessoa que é admirável, a que todos querem como amigo, filho, marido...
Minha cara né? No começo, quando ouvi isso as primeiras vezes, achei um absurdo total, fiquei até meio ofendida, porque sempre me julguei humilde... Mas esse sentimento de ofendida já prova q o Gasparetto tinha razão. Fui assistindo e fui vendo que era isso mesmo. Lembra da teoria dos espelhos do post anterior? Quando os reflexos da criança são negativos, ela busca uma compensação dessa imagem, em geral no grupo em que convive.
Minha compensação foi desaprender a falar não. Eu emprestava as coisas mesmo sem ter vontade. Eu falava sim pra tudo e todo mundo. Mas isso com o tempo ferra a auto-estima da gente, porque a sensação de ser legal é tão boa que você não sabe mais sair disso.
Adivinha quem mais é assim? Adilson. Ele é visto como “O” prestativo, o cara legal, o bacana. Sempre pronto a ajudar, a dar uma mão a quem precisa. E eu já o vi fazer as coisas sem vontade, é mais forte que ele.
Mas ele deve ser visto como o idiota muitas vezes, porque ele é chamado pra ajudar na reforma de casa, na mudança, pra ajudar a consertar o carro, mas quase nunca é chamado pro churrasco, pra festa, pra viagem.
As pessoas o chamam pra fazer a parte pesada do serviço, mas pra aproveitar do esforço dele, os outros amigos é que são chamados.
De um tempo pra cá ele está mudando e tem negado algumas vezes. Ta enxergando as coisas como são.
Viver querendo agradar é um inferno, um ciclo vicioso difícil de sair. Porque através de dizer sim pra tudo e pra todo mundo, a gente busca aceitação, busca um reforço positivo na nossa própria imagem. To melhorando também, mas às vezes escorrego, como agora.
Amo ajudar, sou excelente ouvinte, mas desconfiar de abuso é esperto, né não?
Mas teve coisa boa também, nesse janeiro. Sempre tem, que nem tudo é aborrecimento. Dia 23 foi aniversário do Gabriel. Quatro anos do meu gatinho. Deu um problema aqui e as coisas não saíram como eu planejei. Mas eu fiz isso:
E quando ele viu as coisinhas dele, que eu fiz com tanto amor, precisavam ver a carinha dele. Se iluminou, ele deu aquela segurada no fôlego, sabe como é?
E depois ele fez a festinha particular dele kkk.
Mas isso, essa reação do Gabi foi uma resposta. Eu tive uma idéia e comentei com o Adilson, que comentou com outra pessoa e tudo saiu do controle. Eu queria poder dar uma festa de verdade pra ele, convidar todos os meus amigos, o melhor amigo do meu marido, convidar quem eu quiser, mas aqui em casa ainda não dá, não caberia quase ninguém.
Ainda vou poder. E isso, não poder fazer o aniversário dele e chamar as pessoas que eu mais gosto, me chateou bastante.
Mas meu amigo espiritual veio conversar comigo e me disse que ele não precisa disso, o que ele realmente precisa era o que eu ia fazer. Por isso eu digo que a reação dele foi minha resposta.
Ainda vou fazer festas bacanas de aniversário pros meus filhos, mas naquele momento, nós cinco éramos tudo que ele precisava. Ele se sentiu amado e feliz. Ele entendeu que tudo que ele me viu preparando o dia todo foi pra ele, só pra ele. Se sentiu especial, que era o que eu queria desde o início.
E saber disso valeu pelo meu mês inteiro. Mas... Ainda teve outra coisa boa: adotamos outra gatinha.
Eu queria dá-la de presente de aniversário pro Gabi, por causa da outra que nós perdemos, lembram? Entrei na internet pra procurar uma doação, mas tive muitas dificuldades, pois todos os doadores eram longe daqui. E as exigências eram várias. Sei que as pessoas que resgatam, castram, cuidam e colocam pra adoção devem tomar cuidado ao selecionar os doadores. Adianta nada eu tirar da rua e depois doar pra alguém que tenha más intenções com o animal. Eu entendo isso.
Mas eu tenho ótimas intenções, pretendo cuidar direitinho, mas essas pessoas não doariam pra mim se vissem onde moro.
Não tem como telar o portão aqui, porque nem portão tem. Minha gata não tem acesso à rua, pois não a deixamos sair, mas quem acreditaria em mim?
Mas eis que eu levando a Jana, naquele dia fatídico da vacina, me deparo com um cartaz na rua de uma feira de filhotes. A sete minutos da minha casa. Animais castrados.
Pensei “é muita sorte... nem devem ter gatos”. Geralmente essas feiras de doação menores aqui perto só têm cachorros pra doar.
Mas eu resolvi olhar sozinha, caso não tivesse mesmo gatos, Gabriel nem se animava com um cachorro. Quando nos mudarmos, quero um cachorro pra nós, mas aqui, fora de cogitação.
Mas era pra ser. Só tinha gatos! Filhotes fofos!
Liguei pro Adilson e ele trouxe o Gabi.
Escolhemos essa e o Adilson escolheu o nome Morgan, que significa: “era tida como a Grande Rainha, Senhora Suprema da Guerra, Rainha dos Fantasmas e Rainha Espectro, pois possuía uma forma mutável. Reinava sobre os campos de batalha, ajudando com sua magia. Representa o aspecto idoso da Deusa Tríplice, sendo associada aos corvos e gralhas. Patrona das sacerdotisas e feiticeiras”.
Eu gostei, até porque eu sou fã de Dexter, e o sobrenome dele é Morgan também, então gostei duas vezes.
Gabriel adorou, claro. Ela é um amor, mas é tão quieta que nem parece que tem gato em casa.
Eu ia pegar uma gata igual aquela do natal, preta e branca, mas eu sou doida por gatos pretos.
Eu peguei um da minha irmã, mas ele se mudou pra casa da vizinha que tem mais gatos na casa dela. Começou visitando, depois passava dias lá e então se mudou de vez. Meu sobrinho queria muito ele, mas minha outra irmã é evangélica e não o quis porque ele é preto e podia ser “gato de macumba”. Que preconceito tosco!
Então é isso. Meu ano novo só começa em fevereiro, depois que passa esse mês FDP.
Então que venha a parte boa! Ufa!
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